A dimensão Profética da Missão

Sempre que olhamos para a vida dos profetas, notamos sua capacidade de entender os desafios de sua geração e ser canal de Deus para a integral revelação das estruturas corrompidas pelo pecado humano, anunciando a Verdade e Justiça do Reino de Deus.

O profeta era a consciência moral de sua geração, e com tenacidade e coragem, expunha os “pontos de vista” de Deus e lembrando continuamente da vontade de Dele para a nação e desafiava o povo para que vivesse além de uma vida religiosa estéril, medíocre e hipócrita. Seu viver de excelência e compromisso com o Senhor era fruto de um coração sensível, capaz de sentir os gemidos de Deus ante os descaminhos dos homens.

Sonhamos em nossos dias com uma vida cristã autêntica e desejamos uma espiritualidade apaixonada, porém sadia e transformadora, onde a plena vontade de Deus é entendida e obedecida, assim como faziam os profetas. Como isso acontecerá se fechamos os nossos olhos para os problemas de nosso mundo?

Restaurar a dimensão profética da Missão significa reaprender a olhar as tudo a partir da ótica do Pai celeste e a quebrantar-se com aquilo que quebranta o coração de Deus. Numa época de religiosidade individualista, hedonista e insensível, somos chamados a olhar para os que estão desconectados por esse sistema corrupto e ser voz em favor dos que estão excluídos pela ganância dos homens. Para tanto, é necessário sensibilizar-se ante a dor e o sofrimento humano gerado pelas estruturas apodrecidas pelo pecado. A Missão exige que você e eu levantemos nossas vozes por justiça: “Abra a sua boca, julgue com justiça, defenda o pobre e o indigente”. Provérbios 31:9

O testemunho cristão verdadeiro é aquele que sai do discurso e se faz em atos que promovam a dignidade de toda mulher e homem. O profeta Jeremias nos mostra que a prova que conhecemos a Deus é o fato de sermos instrumentos de justiça e misericórdia.  “Julgou a causa do aflito e do necessitado, e por isso lhe sucedeu bem. Não é isso que significa conhecer-me? Diz o Senhor” – Jeremias 22:16.

A Rede Fale é um movimento de jovens, homens e mulheres que juntos oram e se manifestam em favor da justiça, desenvolvendo atividades que visam conscientizar e promover os valores do Reino de Deus no Brasil e no mundo, com especial atenção para os aspectos econômicos e seus efeitos na desigualdade e na ampliação da miséria através de campanhas temáticas. Entendemos que devemos assumir nossa vocação em favor daqueles que não podem se defender.

O que que Deus deseja de você? “E que o Senhor pede de você? Pratique a justiça e ame a misericórdia e ande humildemente com Deus” Miquéias 6:8.

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O QUE TEMOS NÓS COM O MUNDO?

Assim como me enviaste ao mundo, eu vos enviei ao mundo”. Jesus

Quando se fala do mundo num ambiente evangélico, logo se pensa em tudo pode comprometer a nossa vida: pecado, carnalidade, sensualidade, etc…. Sempre aparece alguém pregando sobre o perigo de se envolver com pecadores e como o estilo de vida dessas pessoas pode corromper nossa fé. Parece até que o ditado “me dizes com quem tu andas que te direi quem és” virou versículo bíblico. Mas é interessante relembrar a oração de Jesus no qual ele diz que Ele nos envia ao mundo, sendo testemunhas Dele.

Não parece estranho que Jesus nos mande para o mundo enquanto muitas vezes somos advertidos na igreja a não se envolver com o mundo? Quem está com a razão?

Em sua estada por esse mundo, o Senhor Jesus comeu e bebeu com pecadores, abraçou os excluídos pelo sistema (inclusive religioso), tocou e foi tocado por aqueles tidos como impuros, agiu com misericórdia com prostitutas e pegos em pecado. Investiu seu tempo ouvindo cegos pedintes e tomou crianças nos braços e afirmou que seu Reino era daqueles que se assemelham a elas. Acolheu mulheres(também descriminadas pela sociedade de sua época), confrontou lideranças e marcou a História dividindo-a entre antes e depois Dele.

Na praia, na praça, em festas, nas ruas e mesmo no deserto (e de vez em quando no templo), Jesus era presente na vida de seu povo e marcou sua geração porque seu entendimento de missão passava necessariamente pelo convívio e pela identificação com as pessoas!

O reformador alemão Martinho Lutero uma vez afirmou” O Reino tem que ser estabelecido em meio aos teus inimigos. Quem não quiser se sujeitar a isso não quer ter parte no Reino de Cristo, mas que viver cercado de amigos, viver em um mar de rosas, na companhia de gente piedosa, jamais de gente má. Ó blasfemadores e traidores de Cristo! Se Cristo tivesse agido como vocês, quem teria se salvo?”.

A grande tragédia de nosso tempo é ver que embora cresçamos em número, não influímos positivamente no mundo. Por que será embora cresça o número de igrejas e adeptos as igrejas evangélicas, o Brasil não se torna um país melhor? Não seria por conta da nossa ausência? Quais são as grandes questões suscitadas por nós que têm feito a sociedade brasileira repensar seus valores? Queridos, se a nossa geração nos lembrar pelo barulho causado pelos nossos cultos, nossa contribuição é pobre e não merecedora da grandiosidade do projeto do Reino de Deus para o Brasil.

Ante a vida de Jesus, somos provocados a perceber que para ser testemunhas dele e chamados a viver como Ele e seguindo-o exemplo de caminhada. Eu e você somos desafiados a não viver em nossos grupinhos ou guetos religiosos, mas a entender que nossa fé deve sair das quatros paredes frias dos templos religiosos e encontrar seu espaço nos palcos da vida.

Caso isso não aconteça, seremos sal que não salga, luz que não alumia, uma igreja irrelevante e marcará sua presença na história por sua ausência. Seremos tudo, menos testemunhas vivas de Jesus, o ressucitado.

Em Cristo, nossa Viva Esperança,

Caio César Marçal

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MISSÃO E ADORAÇÃO

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (JO 4:23)

Adoração é expressão de quem vive a missão. Só Adora quem faz e compreende a Missão. Só quem vive a missão de ser representante de Deus nesse mundo, quem O louva. Missão é ação de quem adora. Adoração é expressão daquele que entende o chamado de Deus.

Louvar não é cantar. Louvar não é ajoelhar. Louvar não é levantar as mãos. Louvar não pode ser definido por um gesto, louvar não pode ser comparado a um ritual. Posso cantar e não louvar. Posso pular, berrar, gemer, espernear, sapatear, uivar, tocar, ajoelhar, correr, gritar e até chorar e mesmo assim não estar adorando.

Alguns pensam que Deus está preocupado com a pompa ou com o que chamamos de “formas para agradar ao Senhor”. Esquecemos que não por causa de nós mesmos que alcançamos a Deus, mas por causa de sua maravilhosa graça nós temos acesso a Sua Presença. João está certo em dizer que não é por mérito: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”(JO 1:13).

Posso ser do coral ou do grupo de louvor da igreja, cantor evangélico, pastor, e mesmo assim estar longe de louvar a Deus. Podemos levantar as mãos, multiplicar minhas orações e apenas farei Deus esconder os Seus olhos com atos que causam náuseas por conta de minha religiosidade hipócrita, que é incapaz de se solidarizar com os oprimidos ( Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue – Isaías 1:15). Adoração deve nos levar a promover os valores do Reino De Deus, como justiça, paz e amor no mundo, senão nossos encontros e festas religiosas não apenas serão estéreis, mas também causaram nojo ao Senhor.

Louvar não é entrar em transe, repetir palavras mágicas, usar um meio ou fórmula mirabolante. Não é sentir frio na espinha ou buscar uma mera emoção que nos faz “flutuar”. Não é ir a simplesmente a igreja ou qualquer outra geografia delimitada pela religião, pois o templo próprio para a adoração está no infinito que mora em nós, e Deus pode e deve ser adorado onde estivermos.

Não louvo ao Senhor por que quero agradá-lo para depois Ele me dar um carro ou um emprego bacana, como é tão comum se ver hoje em certos grupos ditos cristãos. Não louvo a Deus por que “se eu não louvar eu não vou ter uma mansão no Céu”. Não o louvo por que eu tenho medo que ele me jogue dentro de um caldeirão fervente cheio de demônios que fariam arrepiar o maior de todos os lutadores de boxe. Momentos de louvor não podem ser transformados em comércio barato onde eu faço algo para convencer Deus de ficar do meu lado, achando que Deus é algum “gênio da Lâmpada” que tem que fazer todos os meus caprichos.

Louvar não é comprar cd’s de música gospel e colocar no volume mais alto no som de nossas casas. Louvar não é ir para a apresentação de nenhum “astro gospel”. Aliás, não é nada louvável alimentar essa indústria que usa o nome de Deus para ganhar dinheiro, onde muitos se comportam mais como vendilhões do templo no qual Jesus expulsou com chibatadas.

O que é um verdadeiro Adorador? Adorador é aquele cuja vida é culto. Tudo que ele faz aponta para Glória do Senhor. Aliás, culto não termina quando acabam nossas reuniões, pois Deus não é somente Deus no templo, mas também no trabalho, em casa, na rua. Portanto, tudo que fazemos deve ser para honra Dele. Lutero afirma que “é tão santo ordenar o culto quanto ordenhar uma vaca”. Aquele que de fato entende o sentido de ser adorador, sabe bem que onde ele vai ou onde estiver, ele pode louvar, não depende de templos. Quem depende de templos são religiosos. Adoradores são Templos de Deus. Adoradores não precisam de palavras(religiosos sim), porque manifestam sua devoção com atitudes de amor, misericórdia e obediência.