O Brasil e o mundo vive mergulhado num processo de deterioração: Fome, violência, corrupção, miséria, imoralidade, desrespeito para com a vida humana e a ganância capitalista desenham o mapa da triste realidade em que estamos inseridos na presente geração.  Daí surge uma pergunta incômoda:

– De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade?

A culpa é minha! A culpa é nossa!

Jesus afirma que somos Sal e Luz, não é mesmo? Se a carne se estraga e tornando-se imprópria para o consumo, não adianta culpa a carne, mas perguntar onde está o sal. Se tudo é treva, não adianta culpar a escuridão, mas questionar onde está a luz.

O eminente teólogo John Stott assim afirma: “Da mesma forma, se a sociedade se decompõe e seus padrões declinam a tal ponto que ela acaba se tornando como uma noite escura ou um peixe mal-cheiroso, é um contra-senso culpá-la. Pois é isso que acontece quando homens e mulheres caídos são deixados à própria sorte, e o egoísmo humano não é questionado. A pergunta é: Onde está a igreja? Porque o sal e a luz de Jesus Cristo não estão impregnando e transformando a sociedade”?

Simplesmente culpar o mundo pela decomposição é o mesmo que tapar o sol com a peneira e confessar nosso fracasso e hipocrisia. Ser sal e luz implica numa contínua responsabilidade de influenciar as estruturas sociais com valores bíblicos. Infelizmente tendemos a ser sal dentro do Saleiro, fugindo do nosso encargo de influenciar nossa geração.

A Missão da igreja não é apenas pregar o evangelho, mas também vivê-lo, o que implica em encarnar o amor de Deus aos marginalizados, perdidos e desesperançados. Mais do que palavras, o mundo precisa de homens e mulheres de Deus que amem e se importem com o próximo e  sensibilizem-se com o sofrimento humano.

Mais do que religiosos, essa sociedade perdida precisa de gente que de fato passou pela conversão, e lembremos, conversão significa reaprender a amar e olhar as pessoas e reconhecer nelas a imagem e semelhança de Deus.

Alguns, tentando teologizar seu egoísmo, acham que devemos deixar o mundo como está, mais uma vez John Stott fala: “Tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mundanismo”.

Caso não venhamos a assumir nossa responsabilidade social, cairemos no mesmo erro de um grupo de cristãos a quem uma mulher desabrigada pediu ajuda. Um membro do grupo prometeu orar por ela. Mas a ajuda concreta ele não ofereceu. Passado algum tempo desse episódio, ela escreveu o seguinte poema e o entregou a um dos membros daquele grupo da igreja:

“Eu tive fome, e tu formaste um grupo humanitário para discutir minha fome. Estive preso e tu te retiraste discretamente e oraste por minha libertação. Estava nua e, na tua mente, questionaste a moralidade da minha aparência. Estive enferma e tu te ajoelhaste e agradeceste a Deus por tua saúde. Estava desabrigada e tu me falaste do abrigo espiritual do amor de Deus. Estava solitária e tu me deixaste sozinha a fim de orar por mim. Parecias tão santo, tão próximo de Deus! Mas eu ainda estou com fome… e sozinha e com frio”

Em Cristo,

Que nos chama a amar e dar a vida em favor da humanidade

Caio César S. Marçal

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