Manifesto Evangélico por um Processo Eleitoral Ético

Nós, evangélicos e evangélicas, brasileiros, eleitores e cidadãos comprometidos com a verdade e a justiça, manifestamos profeticamente as nossas rejeições e defesas diante da onda de conservadorismo que se abateu sobre o país nesse processo eleitoral.

Rejeitamos os posicionamentos de alguns líderes evangélicos, que em vez de preparar cidadãos, com plenos conhecimentos de seus direitos e deveres, encaminham seus fieis para um exercício equivocado da fé.

Rejeitamos a disseminação de boatos e inverdades com fim de manipular o eleitorado.

Rejeitamos a manipulação, seja ela de que forma for, e a redução das questões cruciais e relevantes no processo eleitoral a temas presos ao mero moralismo.

Rejeitamos o uso da fé como instrumento de manipulação política no momento em que temas como erradicação da pobreza, sustentabilidade ambiental e desigualdade social precisam ser discutidos pela sociedade.

Rejeitamos o papel da mídia, que dá voz e espaço, para que a onda de conservadorismo ganhe visibilidade, desviando o foco das propostas dos candidatos.

Rejeitamos a demonização dos candidatos e partidos, além do processo eleitoral.

Rejeitamos a difusão de informações equivocadas dos papéis que cabem ao Executivo e ao Legislativo no país.

Rejeitamos qualquer forma de intolerância religiosa.

Dessa forma,  defendemos que as eleições devem girar em torno das questões programáticas e dos planos de governo.

Defendemos,  como herança do Protestantismo, a manutenção e o fortalecimento do Estado Laico.

Defendemos a necessidade de uma reforma política e eleitoral que leve o Brasil, do sistema proporcional, no máximo, ao distrital misto, para que os candidatos tenham vínculos comunitários.

Defendemos o aprofundamento do Estado de Direito e a consecução do estabelecimento do Estado de Equidade social, política e econômica.

Defendemos uma Igreja independente, que não se submeta aos interesses políticos e eleitorais. Ao contrário, que exerça sua função profética produzindo cidadãos livres e conscientes de seu papel cívico.

Defendemos a manutenção e o avanço das conquistas sociais que, nos últimos anos, fizeram com que uma parcela significativa de brasileiros saísse dos níveis de pobreza inaceitáveis em que viviam.

Defendemos a manutenção de políticas públicas que promovam a erradicação da pobreza e a maior igualdade entre os brasileiros.

Por fim, assumimos o compromisso de continuarmos orando e contribuindo solidariamente com a construção de um Brasil sustentável, economicamente viável, socialmente justo.

Ariovaldo Ramos, pastor

Welinton Pereira, pastor

Eduardo Nunes, cientista social

Levi Araujo, pastor

Nilza Valeria Zacarias, jornalista

Caio Marçal, Missionário

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4 comentários sobre “Manifesto Evangélico por um Processo Eleitoral Ético

  1. kathleen vasconcelos 10/16/2010 / 12:11 pm

    Concordo plenamente com a iniciativa e também defendo os princícios indicados.

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  2. Vasti S B 10/18/2010 / 1:11 pm

    Queridos,
    O que vocês entendem por conservadorismo? Quando vocês dizem: “Nós evangélicos (…) com a verdade”, não podem dar a impressão que os outros não são comprometidos com esses valores também? Pode ser que alguns errem no uso de suas atribuições, mas não sào todos que se vendem. Mesmo tendo pensamentos diferentes sobre alguns pontos, creio que a essência de um e de outro grupo é a mesma. O mundo não tem competência para nos julgar, se nos acham conservadores não precisamos, por isso, nos abater. O que devemos lutar é pela “Sola Fide”. Creio, contudo, que a Igreja já é vencedora por se posicionar por valores que acredita.

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    • missaototal 10/22/2010 / 3:11 am

      Prezada Vasti, me parece que a campanha tem falado por si. A questão é que os ditos conservadores(que se afirmam como tal), fazem jogo com a verdade, maquiando fatos como o PNDH e as questões ligadas ao aborto ou PL 122.
      Eles tem se valido da ignorância da massa de fiéis que nunca leram tais documentos e deturpam os textos. Isso é ruim para o debate e para o testemunho cristão. A questão não é as posições em si sobre esses assuntos, mas a forma manipuladora e desonesta.

      Abraços

      Caio

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  3. Socorro Valois 10/19/2010 / 11:58 am

    Concordo plenamente com os princípios expressos no “Manifesto Evangélico por um processo eleitoral ético”. Já está mais do que na hora de evangélicos que detém capaciade de criticidade e buscam uma atitude ética, à luz da palavra, expressar repúdio às formas desonestas e manipuladoras como algumas lideranças vem se posicionando. A fé sem obras é morta. Não estou afirmando a existência de fé em qualquer um dos dois candidatos ao segundo turno das eleições presidenciais, porém um tem obras e outro não. Pelo menos as obras fizeram com que milhares de brasileiros tivessem pelo menos 3 refeições por dia, saissem da pobreza absoluta e pudessem sonhar com um futuro melhor, e não se trata de discurso e sim de dados estatísticos. O Lula que os conservadores taxavam de “anafalbeto” ampliou a oferta do ensino superior público em todo o Brasil, inclusive interiorizando os campus, como forma de fixar as pessoas nos seus lugares de origem e após o curso possam contribuir com o desenvolvimento da sua região. Isso é só uma pequena amostra dos esforços de inclusâo social que o governo Lula promoveu e que Dilma se apresenta como a maior possibilidade de continuidade. Já que nenhum dos dois expressam fé, tenhamos pelo menos as obras, e o Evangelho nós pregamos a pessoas com maiores perspectivas de futuro, como nos compete fazê-lo.

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