O que tem de novo no Oriente Próximo para que Israel e a Palestina retomem as negociações suspendidas há três anos? Por quais razões os dois protagonistas aceitam sentar ao redor de uma mesa de diálogo? Um objetivo importante é o de redourar a imagem do presidente Obama, visto como alguém quem tem feito pouco pela paz no Oriente Médio e que ficou submisso aos interesses de Israel.

Outra razão é que para dar resultados, as negociações devem ser justas. No caso do Oriente Médio, as condições do diálogo são totalmente desiguais. Israel se beneficia do apoio sem limites dos EUA e dos países europeus nos campos militar, político, diplomático e econômico. Falta um mínimo de igualdade para que as negociações sejam viáveis e deem frutos. 

 

Há vários temas centrais, sobre os quais o diálogo está bloqueado há três anos. Entre outros, destacam-se: 1) os assentamentos em Jerusalém-Leste e na Cisjordânia ocupada; 2) o Estatuto de Jerusalém; 3) o recuo do território israelense para as fronteiras anteriores à guerra dos seis dias (1967); 4) o reconhecimento da Palestina como Estado constituído politicamente, com representação completa na ONU, e não apenas como observador não-membro; 5) os refugiados palestinos da guerra de 1948; 6) a segurança de Israel; 7) os recursos hídricos. 

 

Sobre os assentamentos na Cisjordânia ocupada desde a guerra dos seis dias (1967) e na parte oriental de Jerusalém lembre-se que, atualmente, 59% da Cisjordânia estão oficialmente sob o controle civil e de segurança israelenses. Leis recentes aprovadas antes do começo das negociações autorizam a construção de mais 2.129 casas em 60 colônias. Mesmo que instâncias internacionais declarem que a ocupação dos territórios é ilegal, o governo israelense não tem nenhuma intenção de renunciar à sua política expansionista: “as construções decididas em Jerusalém e nas colônias estão situadas em territórios que permanecerão israelenses”, disse o porta-voz do primeiro ministro.

 O estatuto de Jerusalém. “Devido a seu valor histórico e religioso, Israel reivindica toda a cidade para si, o que não é reconhecido pela comunidade internacional. A parte oriental de Jerusalém, território palestino ocupado por Israel desde 1967, é reivindicada pelos palestinos para ali estabelecer sua capital”. 

 A 29 de novembro de 2012, a Palestina foi eleita como “observador não-membro” da ONU. Depois de muitos anos de luta para ser reconhecida, essa eleição representa uma importante vitória diplomática para a Autoridade Palestina e seu presidente Mahmoud Abbas. Houve 9 votos contra, 41 abstenção e 139 a favor. Desafortunadamente tamanho avanço não foi aceito por Israel como oportunidade de negociar. Naquele dia, Netanyahou, primeiro-ministro israelense, declarou que o discurso de Abbas era “difamador, venenoso, e que a decisão da ONU não mudaria nada no terreno”. 

A gestão da água é outra forte fonte de conflitos. Israel se reserva aproximadamente 80% dos lençóis freáticos no subsolo da Cisjordânia. Os palestinos não podem cavar poços e têm que comprar sua água da companhia israelense de águas. Os palestinos querem uma repartição mais equitativa. 

 Há muitos outros temas a negociar. Os negociadores têm oito meses para fazer propostas concretas e as negociações são secretas.

 

(Da Análise de Conjuntura de Agosto de 2013 – CNBB)

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