Enéas Alixandrino

image

Em Mateus cap. 5:21- 22 Jesus se vale de uma expressão sírio ao utiliza-se da palavra “raká-imbecil-cretino” e um outro palavrão grego “môurós-parvo-louco-renegado”, sinalizando que nas relações comunitárias, ele abre novo inquérito contra ofensores, cuja intenção é desqualificar ou estigmatizar o irmão nas relações em comunidade. Diante das interpretações estereotipadas do Sinédrio em sua aplicabilidade do mandamento “não matarás”, reduzindo o assassinato somente ao ato físico, Jesus chama atenção para outras facetas do assassinato e da morte, que possuem desdobramentos psicológicos no ofendido. Portanto, um julgamento por parte daquele que sonda as intenções, está em pleno vigor com certo rigor no meio da comunidade, juízo este que não passa pelo crivo do Sinédrio, mas será executado em uma dimensão escatológica.

Ao utilizar-se da hipérbole, Jesus demonstra ao ofensor as implicações morais de suas ofensas que não passarão desapercebidas como algo inofensivo.
Raká-Imbecil: era uma forma de desqualificar o outro na comunidade como alguém incapaz de exercer seu direito de voto, uma anulação, completa ausência de alteridade. Para Jesus tais ofensas são sintomáticas, elas precedem o assassinato físico, assim como também a fumaça ao fogo. Entretanto, tais ofensas possuem o potencial de transformar ofensor em assassino por serem uma completa anulação do outro.

Môrós-Louco: normalmente usado nos escritos sapienciais como uma forma de chamar alguém de tolo, desobediente ou incrédulo.Uma aniquilação do outro, principalmente por desqualifica-lo no que se refere à capacidade de relacionar-se com seu o criador. Por isto que na fala de Jesus o “geena” é uma forma de juízo para o ofensor, pois da mesma forma que ele julga seu “irmão” de ser incapaz de se relacionar com Deus, ao mesmo tempo ele assume em suas ações para com outro, um completo afastamento de Deus no presente, que se concretiza com juízo do geena no escaton…

Portanto, o fato de Jesus empregar a hipérbole e a construção do texto se dar de forma poética, em nada diminui seu efeito como juízo sobre nossas ações, mas é uma advertência às nossas frivolidades, pois costumamos ser levianos quando o outro tem um ponto de vista diferente do nosso, seja nas reflexões teológicas ou mesmo nas discussões “politicas”, se não o anulamos, as vezes, é comum lançá-lo ao inferno. Nas recente polarizações do embate politico via redes social, o esteriótipos como “Coxinha” ou “petralhas” esconde mais do que uma completa despolitização e, sim, ódio, intolerância aqueles que se posiciona de forma diferente.  Tenho receios de lideres religiosos que, usam de seu populismo para promover ódio e intolerância em tempos como estes…

Anúncios