“Insensato, esta noite hão de reclamar a tua alma” Lucas 12:20.
Martin Luther king

 

Gostaria de partilhar convosco a leitura duma história pequenina e dramática, muito importante nas suas implicações e significativa nas suas conclusões. É a história dum homem que, dentro dos conceitos modernos, seria considerado como uma pessoa que tinha vencido na vida. Jesus, no entanto, chamou-lhe insensato.

A figura central do drama é um “certo homem rico” que decidiu construir grandes celeiros novos, porque as colheitas da sua herdade tinham sido tão ricas que já não tinha onde guardá-las. “Aqui guardarei todo o meu trigo e os meus bens”, disse ele, “e depois direi à minha alma: agora descansa, come, bebe e diverte-te”. Deus, porém avisou-o: “Insensato, esta noite hão de reclamar a tua alma!” E assim foi. No auge da sua prosperidade, morreu.

Meditemos sobre este homem. Se ele vivesse hoje, todos o considerariam como “um tipo esperto”. Abundaria em prestígio social e em importância, e seria decerto um dos raros privilegiados dentro da estrutura do poder econômico. E, contudo, um camponês da Galiléia ousou chamar-lhe insensato.

Não foi simplesmente por ser rico que Jesus o chamou insensato. Nunca condenou propriamente a riqueza, mas o abuso que dela fazemos. Como qualquer outra energia, o dinheiro é amoral, e tanto pode servir para o bem como para o mal. É certo que Jesus ordenou ao jovem rico: “Vende tudo quanto tens”, mas, neste caso, como disse o dr. George H. Buttrick, Jesus receitava um remédio individual e não fazia um diagnóstico universal. Nada há de inerentemente vicioso na riqueza, assim como na pobreza nada há de inerentemente virtuoso.

Jesus não condenou este homem por ter sido desonesto na maneira de ganhar o seu dinheiro. Aparentemente, adquirira-o com o esforço do seu trabalho e com a experiência e a visão dum homem de negócios competente. Porque seria então insensato?

Era insensato porque confundira os fins para que vivia com os meios de que vivia. A estrutura econômica da sua vida absorvera-lhe o destino. Cada um de nós vive em dois mundos diferentes, um interior e outro exterior.

O interior é o mundo das coisas espirituais, cuja expressão nos é dada pela arte, a literatura, a moral e a religião. O exterior consta dum conjunto de invenções, técnicas, máquinas e instrumentos, de que depende a nossa maneira de viver. Incluem-se aqui as nossas casas, o nosso carro, os fatos que vestimos, os bens que adquirimos, enfim, toda a parte material necessária às nossas vidas. Mas existe sempre o risco de substituir os fins da nossa vida pelos meios de que vivemos e deixar que o mundo interior seja absorvido pelo exterior. O homem rico foi insensato porque não soube distinguir os meios dos fins, nem o contexto da sua vida com o do seu destino. Consentiu que a vida espiritual fosse submergida pela vida material.

Isto não significa que o lado exterior das nossas vidas não seja importante. É nosso privilégio, e também nosso dever, procurar os meios necessários à nossa subsistência. Só uma religião inconsciente poderia desinteressar-se do bem-estar econômico do homem. A religião sabe que um corpo torturado pela fome, ou obcecado pela falta de um abrigo, destrói a alma. Jesus conhecia a necessidade que temos do alimento, do vestuário, do abrigo e também da estabilidade econômica. Disse-o em termos claros e concisos: “O vosso Pai sabe o que vos é necessário” (Mateus 6:8). Mas Jesus também sabia que o homem não se contenta, como os cães, com alguns ossos econômicos, e que a sua vida interior é tão importante como a exterior; por isso disse a seguir: “Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mateus 6:33). A tragédia do homem rico foi a de ter procurado primeiro os meios e deixar que a finalidade da sua vida fosse absorvida por eles.

Quanto mais enriquecia materialmente, mais pobre ficava em espírito e em inteligência. Talvez fosse casado, mas não soubesse amar a mulher. É natural que lhe oferecesse muitos presentes caros, mas não pudesse dar-lhe o amor e a afeição que ela desejaria. É possível que tivesse filhos e os não soubesse apreciar. Teria talvez bem arrumados na biblioteca livros bons e antigos, que nunca lera, ou a possibilidade de ouvir boa música sem nunca o ter feito. O espírito desse homem não se abria para o pensamento dos poetas, profetas ou filósofos. Merecia bem o seu título de “insensato”.

Foi também insensato porque não conseguiu perceber que dependia dos outros. O seu solilóquio compunha-se aproximadamente de sessenta palavras, das quais as mais correntes eram “eu” e “meu”; tantas vezes as empregou que perdera já a capacidade de pronunciar “nós” ou “nossos”. Vítima do cancro do egoísmo, esqueceu que a riqueza particular depende sempre da riqueza pública. Falava como se pudesse cultivar campos ou construir celeiros sem a ajuda de ninguém. Não reconhecia a sua qualidade de herdeiro dum vasto tesouro de idéias e obras, para os quais haviam contribuído tanto os vivos como os mortos. Quando um indivíduo ou uma nação desconhece essa interdependência demonstra uma trágica insensatez.

O significado desta parábola aplica-se nitidamente à crise do mundo atual. Toda a máquina produtora do nosso país fabrica uma tal abundância de alimentos que temos também de construir maiores celeiros e gastar mais de um milhão de dólares por dia para armazenar os excedentes. De ano para ano, perguntamos: “Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita?”. Li a resposta nos rostos de milhões de homens e mulheres esfomeados que habitam a Ásia, a África ou a América do Sul; li a resposta na espantosa miséria do Delta do Mississipi e na trágica instabilidade dos desempregados das cidades industriais do Norte. Que havemos de fazer? A resposta é simples: dar de comer a quem tem fome, vestir os nus e socorrer os que sofrem. Onde guardaremos as nossas colheitas? Mais uma vez, a resposta é fácil: podemos guardá-las no estômago construído de milhões de filhos de Deus que vão à noite para a cama sem terem comido. Podemos empregar os nossos vastos materiais na abolição da miséria do mundo.

Todas estas coisas demonstram algo de fundamental na interdependência dos homens e das nações. Todos nós, tendo ou não consciência disso, estamos eternamente em débito para com outras pessoas, conhecidas ou desconhecidas. Ninguém acaba de almoçar sem ficar a dever qualquer coisa a mais de meio-mundo. Quando, de manhã, nos levantamos da cama e vamos para a casa de banho, servimo-nos da esponja que um indígena do Pacífico forneceu; Lavamos-nos com um sabonete fabricado por um francês; a toalha foi importada da Turquia. Depois, à mesa, bebemos café que vem da América do Sul ou chá da China, ou cacau africano. Antes de sairmos para o emprego, já dependemos de quase todo o mundo.

No seu verdadeiro sentido, toda a vida é “inter-relacionada”. Todos os homens inevitavelmente apanhados pela rede da mutualidade e amarrados nas malhas dum mesmo destino. Aquilo que afeta diretamente alguém, afeta, indiretamente, toda a gente. Eu nunca posso ser aquilo que devo ser, sem que tu sejas aquilo que deves ser; assim como tu também não podes ser o que deves, sem que eu seja aquilo que devo. Esta é a estrutura “inter-relacionada” da realidade.

O homem rico não viu isto. Julgou poder viver num mundo limitado, de que só ele fosse o centro. Era o individualista levado ao excesso. Foi, realmente, o eterno insensato!

Jesus chamou a esse homem insensato por ele ter esquecido que dependia de Deus. Falava como se fosse ele a comandar as estações do ano, a prover à fertilidade do solo, a regular o processo natural das chuvas e do orvalho ou a dirigir o nascer e o pôr-do-sol. Julgava, sem ter a noção disso, que era o Criador e não a criatura.

Este louco egocentrismo tem sido desastroso na história da humanidade. Algumas vezes encontra a sua expressão teórica na doutrina materialista, que sustenta poder explicar a realidade em termos de movimento de matéria; a vida, como “um processo fisiológico com um significado fisiológico”; o homem, como ocasional acidente provocado pela cega deslocação de prótons e elétrons; o pensamento, como produto eventual da matéria cinzenta; e os acontecimentos históricos, como a ação do conjunto da matéria e do movimento provocado pelo princípio da necessidade. O materialismo tanto se opõe ao ateísmo como ao idealismo, porque nele não há lugar para Deus nem para ideais eternos.

Esta filosofia materialista conduz inevitavelmente a um destino sem rumo, num mundo intelectualmente sem sentido. Acreditar que a pessoa humana é o resultado dum encontro fortuito de átomos com elétrons, é tão; absurdo como acreditar que um macaco, ao carregar, eventualmente no teclado duma máquina de escrever possa, por simples acaso, criar uma peça shakespeariana. Pura fantasia! Seria bem mais sensato dizer, como o físico Sir James Jean, que “o universo parece estar mais próximo duma grandiosa concepção do que duma grande máquina”, ou então, como o filósofo Arthur Balfour, que dizia: “Já hoje conhecemos demasiadamente bem a matéria para podermos ser materialistas”. O materialismo é uma chama tênue que se apaga ao sopro dum pensamento amadurecido.

Outra tentativa para diminuir a importância de Deus encontra-se no humanismo ateísta, filosofia que deífica o homem, afirmando que a humanidade é Deus e o homem a medida de todas as coisas. Muitos homens modernos que perfilham esta doutrina sustentam, como Rousseau, que a natureza é essencialmente boa. Só nas instituições existe o mal e, se conseguíssemos abolir a pobreza e a ignorância, tudo seria perfeito. Foi dentro deste exuberante otimismo que nasceu o século XX. Os homens acreditavam que a civilização lhes facultaria um paraíso terrestre. Habilidosamente, Herbert Spencer adaptou a teoria de Darwin sobre a evolução à idéia predominante do progresso mecânico. Os homens convenceram-se de que havia uma lei sociológica do progresso, tão válida como a lei física da gravitação.

Cheio de otimismo, o homem moderno mergulhou no domínio da natureza e saiu de lá com conhecimentos científicos e processos técnicos que revolucionaram completamente o mundo. As realizações científicas foram maravilhosas, tangíveis e concretas. Ao assistir a este espantoso desenvolvimento científico, o homem moderno exclamava:

A ciência é meu pastor; nada me pode faltar.
Ela me leva a prados de água fresca
refaz a minha alma nas águas repousantes.
Nenhum mal me mete medo.
Pois que a ciência está ao pé de mim
consolam-me o seu báculo e bordão.
Paráfrase do Salmo 22.

As aspirações do homem já não se voltavam para Deus nem para o Céu. O pensamento agora cingia-se a ele próprio e à terra. Parodiando de forma estranha a prece do Senhor, poderia dizer: “Irmão nosso que estais na terra, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino e que a vossa vontade se faça na terra porque já não há Céu”. Os que dantes recorriam a Deus a fim de solucionarem os seus problemas pessoais, viraram-se agora para a ciência e para a tecnologia, convencidos de que possuíam os instrumentos necessários para singrar na nova sociedade.

Deu-se então a explosão deste mito. Atingiu o paroxismo nos horrores de Nagasaki e Hiroshima e na crucial ferocidade das bombas de cinqüenta megatóns. Compreendeu-se então que a ciência podia proporcionar a força física mas que esta, sem a força espiritual a controlá-la, conduziria inevitavelmente à destruição cósmica. Ainda hoje são verdadeiras as palavras de Alfredo, o Grande: “O poder nunca é um bem, a menos que o seu detentor seja bom”. Precisamos de alguma coisa mais do que a ciência para nos sentirmos apoiados espiritualmente e dirigidos moralmente. A ciência, quando guiada pelo espírito de Deus, pode ser o instrumento que ajuda o homem a alcançar a maior segurança física, mas, quando afastada de Deus, pode também transformar-se numa arma perigosíssima que nos precipita no caos. Porquê enganarmo-nos acerca do progresso mecânico ou da capacidade do homem em se salvar a si próprio? Ergamos antes os olhos ao céu, donde nos vem o verdadeiro auxílio. Só assim os progressos da ciência moderna poderão ser uma bênção, em vez duma maldição.

Sem dependermos de Deus, todos os nossos esforços se reduzem a cinzas e transforma-se em escuridão o sol mais brilhante. Sem o Seu espírito que ilumine as nossas vidas, apenas encontraremos o que G. K. Chesterton chamava “curas que não curam, benefícios que não beneficiam, soluções que não solucionam”. “Deus é o nosso refúgio e a nossa força, mostrou-se nosso amparo nas tribulações” (Salmo 45:2).

Infelizmente, o homem rico nada disto viu. Como tantos outros do século vinte, tão ocupado estava com os grandes negócios e com trivialidades, que se esqueceu de Deus. Dava infinita importância ao que era transitório e manifestava um exagerado interesse pelo que era de importância mínima.

Depois de ter acumulado a sua grande fortuna e no momento exato em que os seus interesses prosperavam, e o seu palácio era o assunto do dia, o homem rico experimentou aquilo que é o irredutível denominador comum de todos os homens: a morte. O fato de ter morrido nessa determinada ocasião empresta a esta história um certo travo irônico e dramático, mas o significado essencial da parábola, tivesse ele atingido a idade de Matusalém, seria sempre igual. Se não tivesse morrido, fisicamente, já antes haveria morrido espiritualmente; a paragem do coração era apenas o anúncio tardio duma morte já antes consumada. Morrera quando não soube distinguir os meios de que vivia dos fins para que vivia, e quando não reconheceu a sua dependência tanto dos outros como de Deus.

Não representará a civilização ocidental este “homem rico”? Rica de bens e de recursos materiais, a medida do êxito anda ligada quase inextricavelmente ao desejo desmedido da aquisição. São, de fato, maravilhosos os recursos de que dispomos para viver mas há, porém, alguma coisa que falta: aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não conseguimos aprender a simples arte de vivermos unidos como irmãos. A abundância não nos trouxe a paz de consciência nem a serenidade de espírito. Um escritor oriental descreve em cândidos termos este nosso dilema:

“Chamam aos seus mil inventos materiais ‘economia de trabalho’ e, contudo, estão permanentemente ‘ocupados’. À medida que sua mecanização se multiplica, mais lhes cresce a fadiga, a ansiedade, o nervosismo e a insatisfação. Quanto mais têm mais querem, e onde quer que estejam sentem sempre a necessidade de estar noutro lado. Possuem máquinas para extrair a matéria em bruto (…), máquinas para a fabricar (…), máquinas para transportar, máquinas para varrer e limpar o pó, para transmitir mensagens, para escrever, para falar, para cantar, para recitar, para votar, para coser (…) e centenas de outras tantas que produzem tantas outras centenas de coisas para eles e, contudo, são os homens mais enervados, mais sobrecarregados do mundo (…). Os seus inventos não economizam trabalho nem arranjam maneira de salvar as almas. São como esporas que os estimulam a criar novas máquinas e novos processos para os ocupar ainda mais” (Abraham Mitrie Rihbany, Wise Men from the East and from the West, 1922).

Isto é uma verdade pungente, e diz-nos alguma coisa sobre a civilização ocidental que ultrapassa o preconceito faccioso dum escritor do Oriente, invejoso da prosperidade ocidental. Não podemos fugir à acusação. Os meios de que vivemos distanciam-se muito dos fins para que vivemos, e o poder científico passa à frente do poder espiritual: teleguiamos mísseis e não sabemos guiar os homens. Como esse tal homem rico, desprezamos insensatamente a nossa vida interior e exaltamos a exterior. Deixamos que as condições da nossa vida absorvam a própria vida. A nossa geração não terá paz enquanto não aprendermos de novo que “a vida de um homem não consiste na abundância das coisas que possui” (Lucas 12:15), mas no recôndito daquele tesouro espiritual “de onde o ladrão não se aproxima e que a terra não corrói” (Lucas 12:30).

A nossa esperança duma vida criadora reside na capacidade de reintegrar a finalidade espiritual da nossa vida no caráter pessoal e na justiça social. Sem um novo despertar moral e espiritual, seremos destruídos pelo abuso dos nossos próprios instrumentos. A nossa geração não pode fugir à pergunta do Senhor: De que servirá ao homem possuir todo o mundo exterior (aviões, luz elétrica, automóveis e televisão), se perder o interior, isto é, a sua própria alma?

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Publicado no site I Have Dream

Missaototal's Blog

Por René PadillaImagem

O Evangelho é o que de mais precioso podemos oferecer porque é o melhor que temos. Toda a ajuda que podemos oferecer aos necessitados é boa, mas nada é comparável à possibilidade de se apropriar dos recursos que Deus quer lhes dar para uma vida digna, cheia de sentido — uma vida em abundância.
Evangelizar é anunciar as boas notícias de Jesus Cristo em palavras e em ação, àqueles que não o conhecem, com a intenção de que, pela obra do Espírito, se convertam a Jesus Cristo, se disponham a lhe seguir como discípulos, unam-se à sua igreja e colaborem com Deus na realização de seu propósito de restaurar a relação com ele, com o próximo e com a criação. Assim, a conversão é o começo de uma transformação que abarca todo aspecto da vida.
Portanto, a evangelização requer a participação de agentes humanos dispostos a colaborar…

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As afinidades entre o cristianismo e o judaísmo não justificam que cristãos se alinhem politicamente com Israel, diz o pastor Edmilson Vila Nova, um dos principais representantes da Igreja Batista no Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, Nova – que é presidente da Convenção Batista Nacional – afirma que “qualquer igreja evangélica ou católica no mundo tem uma identificação profunda com a história de Israel e do judaísmo”.

“Mas o fato de judeus constarem na Bíblia como o povo escolhido não dá a Israel o direito de agir dessa maneira (em Gaza)”, diz o pastor – que, na entrevista, disse expressar sua opinião pessoal sobre o conflito, já que um posicionamento oficial da Igreja Batista exigiria um amplo processo de consultas.

Uma reportagem da BBC Brasil publicada nesta quarta-feira mostrou que a condenação do governo brasileiro aos ataques israelenses em Gaza – simbolizada pela decisão da presidente Dilma Rousseff de convocar o embaixador brasileiro em Tel Aviv – gerou forte reação contrária de líderes de igrejas evangélicas neopentecostais.
Além dos laços religiosos com locais sagrados de Israel, eles citaram em defesa do país argumentos semelhantes aos que são usados pelo governo israelense – como o de que as ações em Gaza visam proteger os israelenses de ataques do Hamas, o grupo palestino que controla o território. Os líderes disseram ainda temer que a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Israel afete o fluxo de peregrinos brasileiros para a Terra Santa.

Para o pastor Edmilson Vila Nova, no entanto, “o que Israel está fazendo é desumano”.

“Israel usa uma força muito grande contra quem não tem força, o que termina penalizando pessoas que são inocentes e não têm nada a ver com a situação”.

“O fato é que bombardear um lugar pequeno e populoso como Gaza mata pessoas inocentes. Isso se constitui uma ação agressiva, violenta e desproporcional”, diz Nova.

Para o pastor, o Hamas é um grupo terrorista e Israel tem o direito de se defender de seus ataques.

Ele avalia, no entanto, que o país “deveria encontrar outro caminho que não fosse a retaliação por meio de bombardeios”.

Nova diz que o Exército israelense poderia se infiltrar em Gaza para desmantelar o Hamas, minimizando os impactos de suas ações na população civil.

O governo israelense diz que os alvos de bombardeios são escolhidos após análise criteriosa e que as ações são necessárias para destruir instalações militares do Hamas. Afirma ainda que as forças israelenses evitam ao máximo atingir civis, mas que o Hamas usa “escudos humanos” para proteger suas bases.

Até agora, mais de 1.800 mil palestinos morreram no conflito, em sua maioria civis. Já do lado israelense morreram 67 pessoas, três civis. No momento, um cessar-fogo entre as partes trouxe horas de “tranquilidade” à região.

Para o pastor Nova, a solução do conflito requer o reconhecimento do Estado Palestino. “Desde o ano 70, quando Israel foi praticamente destruído pelo Império Romano, até 1948, quando os judeus tiveram reconhecido seu direito de voltar ao território de onde tinham saído, Israel sofreu muita truculência na história”, diz.

“O mesmo ato de justiça deveria ter contemplado os palestinos, que enquanto povo também têm o direito a um território.”

A BBC Brasil também questionou outras igrejas sobre sua posição em relação ao conflito em Gaza e a postura do governo brasileiro no episódio.

Em nota, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representante máxima da Igreja Católica no país, disse que “a violência, a morte de inocentes não se justificam, nem de uma parte nem de outra”.

Questionado sobre a decisão de Dilma de chamar o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consultas, o órgão afirmou que o governo “é livre para convocar seus embaixadores”.

Outras igrejas contatadas não responderam aos questionamentos.
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Notícia veiculada no site da BBC Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140806_evangelico_israel_jf_kb.shtml

Um grupo de bispos da Igreja Anglicana da Inglaterra pediu ao Governo britânico que dê asilo no Reino Unido aos cristãos do Iraque que estão sendo ameaçados de morte pelos jihaidistas para se converterem ao Islã.

Milhares de cristãos fugiram da cidade iraquiana de Mossul depois que o grupo jihaidista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) começou a ameaçá-los. Diante disso, vários bispos anglicanos consideraram que o Reino Unido tem uma “obrigação moral” de acolher estas pessoas, pelo papel que o país desempenhou na invasão do Iraque, em operação com os EUA em 2003, à qual seguiram anos de instabilidade.

Cerca de 750 mil cristãos que viviam no Iraque em 2003 tiveram que deixar o país devido à violência sectária e os 60 mil que compunham a sólida comunidade cristã de Mossul – uma das mais antigas do mundo – se reduziram a 35.000 desde a irrupção do ISIS em junho passado.

Em declarações divulgadas pelo jornal dominical “The Observer”, o bispo de Manchester, David Walker, opinou que o Reino Unido ‘fracassaria’ se não oferecesse refúgio a estes cristãos. “Depois de intervir de modo tão extenso no Iraque, temos, mais do que outros países, uma obrigação moral”, apontou.

Também o bispo de Worcester, John Inge, revelou ao mesmo dominical que se sentiria ‘desgostado’ se o Governo de David Cameron ‘se negar a fazer alguma coisa para estas pessoas ameaçadas’. Na mesma linha, se manifestou o bispo de Leeds, Nick Baines, para quem “o Governo britânico não pode continuar calado ou simplesmente emitir palavras. É preciso fazer algo mais. Não fazê-lo seria equivalente a uma traição da nossa moral e de nossas obrigações históricas”, completou Baines.
(CM)

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/bra/articolo.asp?c=817395
do site da Rádio Vaticano

O SEMINÁRIO BÍBLICO ÁRABE DE BELÉM (PALESTINA) RELATA SOBRE UMA IRMÃ DA IGREJA BATISTA DE GAZA QUE FALECEU QUANDO SUA CASA FOI ATINGIDA POR UM MÍSSIL.

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Caros Irmãos,
Enquanto escrevo a você estas linhas, um cessar-fogo de 72 horas foi aceito por Israel e os movimentos de resistência em Gaza. No entanto, a situação na Faixa de Gaza está se tornando extremamente intolerável e se as facções de luta continuarem a lutar, a miséria dos civis será terrível. Na Faculdade Bíblica de Belém (Bethlehem Bible College) acreditamos que toda a vida é sagrada e nós clamamos ao nosso poderoso Deus para acabar com esse ciclo de violência e poupar as vidas de israelenses e palestinos. Nossa mensagem é moldada pelos ensinamentos de nosso Salvador ,uma mensagem de arrependimento, perdão, não-violência e da reconciliação.

Antes do cessar-fogo a maioria dos habitantes de Gaza não foi capz de sair de suas casas, com exceção daqueles que estavam fugindo de suas casas bombardeadas. Aqueles que se atreveram a sair de suas casas se tornaram alvos de bombas, estilhaços, e mísseis que já mataram 1.400 pessoas – a maioria das quais são civis e cerca de 250 delas são crianças. Os bancos ainda estão fechados e há muito caos. Isto está a dificultar as agências humanitárias de fazer o trabalho de socorro. Mas há uma crescente pressão internacional sobre o governo israelense e o Hamas para aceitar um cessar-fogo prolongado que poderia levar a uma trégua mais longa. Enquanto isso, a população civil em Gaza sofre mais, especialmente as crianças. Sofremos com eles, bem como com as famílias israelenses que perderam seus entes queridos. De acordo com fontes israelenses 64 soldados foram mortos e centenas de pessoas ficaram feridas.

A primeira vítima cristã desta rodada de violência é a Sra. Jalele Ayyad. Fatin Ayyad, um parente do Jalele, e membro da Igreja Batista em Gaza, disse-me que a mulher (de mais de 60 anos) foi morta quando um míssil israelense atingiu sua casa. Fatin disse, “primeiramente recebemos um míssil com uma mensagem:” Deixe a casa imediatamente! “Mas antes que a família fosse capaz de correr, um míssil mortal atingiu a casa, matando Jalele, ferindo seu marido e aleijando seu filho Jeries. O Reverendo Alex Awad e David Azar visitaram Jeries no hospital. Os médicos tiveram que amputar as duas pernas e um braço. Ele está em um estado crítico. Ore conosco que ele sobreviva. Sra. Jalele Ayyad foi sepultada no cemitério ortodoxo grego na cidade de Gaza. Fatin comentou tristemente; “Toda a declaração de Israel sobre dar aos habitantes de Gaza tempo suficiente para que eles possam deixar as suas casa antes dos bombardeios é apenas uma propaganda”. Alguns, segundo ela, “foram mortos sob os escombros de suas casas, sem nunca haver recebido um aviso; alguns foram mortos enquanto saiam e os outros foram mortos nas ruas depois de haverem deixado suas casas. A tragédia é que muitos correram para o que eles pensaram ser abrigos seguros, no entanto os bombardeios indiscriminados os seguiram e acabaram com as suas vidas ou os feriram dentro dos abrigos.

Apelamos a nosso Senhor amoroso para acabar com essa crise e dar aos líderes de ambos os lados a sabedoria para chegar a um acordo duradouro, para que não tenhamos que ver esse tipo de selvageria novamente. Ore pela Sociedade Pastoral, a medida que ela faz a captação de recursos e organização para participar no ministério de alívio em Gaza.

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Informação do site http://www.bethlehembiblecollege.edu/

Raphael Freston

A origem por trás dessa última onda de violência na Faixa de Gaza se deve a proposta de um governo palestino unido e seu subsequente colapso. Com efeito, havia muita esperança do povo palestino na formação de um governo nacional unido entre Hamas e Fatah. O bloqueio ilegal de Israel condena a população de Gaza à miséria e à fome e efetivamente a torna a maior prisão do mundo a céu aberto, uma situação insustentável para os palestinos. Procurando escapar desse isolamento, Hamas se aproximou de seu inimigo interno, Fatah, e consentiu às três condições que a comunidade internacional estabelecia para abrir negociações de paz e a formação de um Estado palestino: o reconhecimento de Israel, respeito aos acordos diplomáticos anteriores e renúncia à violência.

Todavia, a divisão e a inimizade entre os dois grupos palestinos tem sido um dos pilares da política de Israel, que teme a possibilidade de uma palestina unida e tem se demonstrado apática a qualquer possibilidade de um Estado palestino com soberania plena. Israel respondeu interrompendo as negociações de paz, aumentando os assentamentos ilegais e intensificando as incursões e assassinatos, incluindo ataques a civis palestinos na região da Cisjordânia ocupada. De fato, em maio, dois adolescentes palestinos foram mortos, na Cisjordânia, pelo exército israelense sem sequer receber um lampejo de atenção internacional. A mensagem era clara: Fatah teria que escolher entre paz com Israel ou paz com Hamas. Antes, no entanto, vale lembrar que Israel dizia que não podia negociar com o Fatah porque este não representava o Hamas, o que levou, então, os dois grupos palestinos a se aproximarem no início.

Com o êxito de Israel em frustrar, utilizando violência e uma lógica implacável, a formação de um governo unido dos palestinos e a crescente situação econômica insustentável, três adolescentes israelenses foram sequestrados e assassinados na Cisjordânia ocupada, em junho. Hamas nega qualquer envolvimento. Israel, em uma narrativa cuidadosamente criada, lançou ataques a faixa de Gaza matando militantes do Hamas, alegando retaliação. Como consequência, o Hamas retomou os ataques de foguetes a Israel. Em suma, a ideia de que Israel está se defendendo de ataques externos sem provocação é um absurdo.

Ademais, apesar da retirada de Israel dos assentamentos em 2005, Gaza continua sendo, na realidade, um território ocupado ao sofrer um bloqueio perverso, onde a escassez de combustível tem levado a frequentes cortes de energia, afetando hospitais, escolas, abastecimento de água e esgoto. Assim, os palestinos em Gaza e na Cisjordânia são um povo que sofrem uma ocupação brutal nas mãos dos israelenses e, portanto, tem o direito de resistir – mas não deliberadamente mirar em civis. Israel, por outro lado, não tem o direito de autodefesa em territórios que ocupa ilegalmente. Ao contrário, ele tem a obrigação de se retirar.

Somente acabando com a ocupação israelense (que perdura há 48 anos), com o bloqueio de Gaza, com os assentamentos ilegais e promovendo a formação de um Estado para os palestinos, poderá uma paz segura e duradoura ser cogitada. No entanto, sem o compromisso de Israel em colaborar com um Estado para os palestinos, restará apenas um único Estado que age de modo semelhante ao que já vimos na segregação étnica do apartheid, como afirmou Nelson Mandela.

Raphael Freston estuda ciências sociais na Universidade de São Paulo e foi membro da diretoria nacional da ABUB.

Hernán Zin*

James Miller era um dos melhores realizadores de documentrários de sua geração. Rodou reportagens em regiões de conflito como Kosovo, Chechênia, Coréia, Argélia, Serra Leoa, Sudão e Afeganistão. Algumas de suas imagens, como as que mostram talibãs matando uma mulher a pedradas num estádio de futebol, deram voltas ao mundo. Seu trabalho o fez ganhar os prêmios mais importantes do jornalismo audiovisual.

Em 2 de maio de 2003 estava ao sul da Faixa de Gaza filmando um documentário sobre a situação das crianças que ali vivem, no meio do conflito, quando recebeu um disparo na nuca feito por um franco-atirador do exército israelense. Era de noite. Miller levava nas mãos uma bandeira branca para evitar ser confundido com um miliciano, e uma lanterna com que iluminava o rosto. Sua companheira, Saira Shah, gritava: “Somos jornalistas britânicos!” Mesmo assim, o soldado israelense numa torre de controle assim mesmo disparou.

O documentário pelo qual James Miller perdeu a vida chama-se “Morte em Gaza” (“Death in Gaza”) e mostra o momento em que foi assassinado. Tinha 35 anos e era pai de dois filhos. Produzido pela HBO, está chocando a opinião pública mundial, que a cada dia que passa percebe ser progressivamente mais difícil engolir o domínio israelense sobre a população palestina de Gaza.

James Henry Dominic Miller nasceu em 18 de dezembro de 1968 no seio de uma família galesa que contava já com inúmeras gerações de militares. Dizia que não foi soldado porque a disciplina não era o seu forte. Porém, seus colegas de profissão afirmam que ele sempre fora disciplinado e meticuloso na hora de trabalhar.

James era casado com Sophie Miller, hoje a principal porta-voz da luta de familiares e amigos do jornalista para que se faça justiça. Tinha dois filhos pequenos, Alexander e Charlotte. Os três continuam a viver na casa da família, ao sul da Inglaterra.

James Miller, que trabalhou sempre como câmera e diretor free lance, se uniu ao grupo Frontline News en 1995 para realizar documentários em conflitos armados.

Desde o princípio, Miller se mostrou um homem de grande talento, decidido, que não hesitava na hora de estar no cerne de um conflito. Seus companheiros o descrevem como um jornalista prudente, que não corria riscos desnecessários.

Quatro anos mais tarde ele se uniu à produtora Hardcash, onde contaria com o apoio de uma equipe que tiraria dele o melhor como narrador. Cada um de seus documentários que rodou nesse período ganhou importantes prêmios.

A investigação de seu assassinato

Primeiro, o Exército israelense afirmou que James Miller morrera em conseqüência de fogo cruzado. Porém, as imagens de seu documentário mostram que, naquele momento, quando o franco-atirador israelense ? tenente Haib ? deu um tiro certeiro em sua nuca a 200 metros de distância, não havia nenhum tiroteio. Os depoimentos de testemunhas sustentam essa afirmação.

Em 2 de maio de 2005, três anos depois da morte de Miller, o Exército israelense deu por encerradas as investigações, argumentando que não havia provas conclusivas. Porém, segundo pesquisas do perito independente e especialista em armas Chris Cobb-Smith, seria impossível que um disparo tão preciso tivesse sido conseqüência de um erro.

O tenente Haib, membro do Batalhão Beduíno de Reconhecimento, não somente não foi condenado como sequer recebeu uma admoestação ou castigo algum dentro do exército. Assim havia sido solicitado por um dos fiscais gerais de Israel, mas o brigadeiro Guy Tzur se negou publicamente a castigar um de seus homens.

“Seguiremos lutando contra a cultura da impunidade”, afirmou em uma de suas últimas declarações públicas Sophie Miller. “Esperamos que a condenação da pessoa responsável faça com que os soldados israelenses pensem duas vezes antes de disparar contra civis inocentes”.