abril 2010



A Igreja não existe apenas por existir ou para si mesma, mas vive a partir da missão de viver o evangelho com paixão pela obra redentora do Cristo, que encarna na História humana e se solidariza com os fracos, consola os marginalizados, incomoda os poderosos e doa a própria vida em favor da salvação de todo os homens.

A sua Missão se faz com paixão, suor, lágrimas e sangue, pois Aquele que diz seguir trilhou seu caminho dando tudo que tinha, inclusive a própria vida! Ela tem os pés sujos com o pó da terra, porque anda pelos mais longínquos lugares promovendo a esperança do Reino. Vive já os valores da Nova Jerusalém, pois sabe muito bem que somente aqueles que morarão na cidade santa são os que vivem hoje como estivessem na “cidade de Deus”, lugar onde habitará a justiça (II Pedro 3:13).

Essa é a Igreja com “i” maiúsculo, que conhece o que é amar e sofrer, que sabe de Deus e O serve não apenas de palavras, mas com atos de amor em favor dos que padecem, seja por fome de pão, justiça ou evangelho. Inconformada com o mundo, vive permanentemente numa condição de renovação da mente.

Ela é a Noiva adornada preparada para o Cordeiro. É santa, porém humana, pois teve seu coração de pedra transplantado e colocado no lugar um coração de carne, o que a torna sensível a dor do mundo. É a Igreja de Deus (graças a Deus!), que acolhe, restaura e leva os seus membros a um estado de culto permanente ao Senhor. Igreja dependente da voz do Bom Pastor. Essa Igreja caminha na força e no poder do Espírito! Aleluia!

Em oposição a Igreja, existe a “igreja” com “i” minúsculo com sua antimissão. Essa, por se achar poderosa, boa e sã por conta de suas regras e leis, sente-se auto-suficiente, por isso não precisa de Jesus, pois o mesmo veio foi para os doentes e não para os que se acham bons…

Cheia de pompa, com seus bancos lustrosos e seus púlpitos transformados em palcos para líderes vaidosos embriagados por poder e com astros da música gospel . Embora fale de Jesus, pateticamente o deixa do lado de fora batendo na porta, assim como a igreja de Laodicéia. Mal sabe ela que é coitada, miserável, cega e nua e caso não volte ao primeiro amor, será vomitada pelo Senhor.

Sua insensibilidade a torna incapaz do exercício do amor para com o pobre, aflito e necessitado e não é capaz de ser voz para aqueles que não podem se defender. Por isso caminha com sua “piedade perversa” a passos largos para o inferno.

A missão da “igreja” com “i” minúsculo é viver em torno de seus programas estrategicamente planejados para entreter a sua clientela. Sua finalidade é fazer o freqüentador de suas reuniões sentir-se bem e não fazê-lo perceber que o chamado de Deus deve nos levar a sair de sua zona de conforto e a carregar sua cruz.

Por ter perdido a essência do evangelho, ela deixou de ser comunidade de pecadores redimidos para se tornar sinagoga de fariseus hipócritas, arrogantes e cheios de si. De longe, parece frondosa e cheia de frutos, mas de perto é estéril e sem vida como aquela inútil figueira condenada por Jesus. Nela, fé é um meio para se fazer dinheiro em nome de Deus. Um verdadeiro covil de ladrões!

De qual delas você quer fazer parte?

No Senhor,

Força de nossa Justiça e Salvação!

Caio César Marçal

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“Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”.

Mateus 26:39

Existem momentos em que não percebo mais nenhuma esperança. Existem momentos que não percebo Deus perto de mim e sinto-me jogado na frieza mórbida do meu inferno interior.

Existem momentos em que não desejo mais amar, seja por medo, decepção ou pela incompreensão de quem não entendeu o sentido do meu abraço, o esforço da minha entrega.

Existem momentos que me pergunto: – Quem sou? Sou mesmo o que pensam de mim? Ou aquilo que penso ser? Esse ou aquele?

Existem momentos que acredito que não adianta Deus mudar minha rota, sonhos e perspectivas, achando que os conceitos e preconceitos que os outros nutrem sobre mim criaram um muro intransponível, onde se torna inútil processar essas mudanças na minha vida.

Existem momentos em que levanto meus punhos pro céu e pergunto para Deus por que deixou que me ferisse no caminho que propôs para mim. Nessas horas me dá vontade de jogar tudo pro alto. Tudo, tudo mesmo!!!

Esses momentos realmente existem… Como se a presença de um anjo triste fosse a única e última visão. São nesses momentos onde o suor se confunde com sangue, onde não há esperança, força, ou calor das palavras amigas e da comunhão sincera, que nos assemelhamos a Cristo no Monte das Oliveiras. Local onde a alma chora e o coração desfalece. Aonde a dor é a nossa única companheira e a nuvem cinzenta da morte pousa sobre a cabeça. Aonde o gosto amargo do abandono é o único sabor que permanece na boca.

Mas apesar desses momentos, ao olhar para esse Cristo que se entrega totalmente ao destino horrendo que o espera no Calvário, creio que mesmo quando não vemos esperança, vale a pena lutar! Lutar pela integridade de nossa caminhada e pela grandeza dos Sonhos do Reino de Deus.

Sim! É possível dar um passo à frente mesmo quando não vemos mais saída e a incerteza se mistura a nossa fé, pois creio somente os que marcaram a vida e a história vencendo os desafios ao serem íntegros e relevantes, foram aqueles que não desistiram quando tudo parecia perdido. Posso passar por todos os problemas, sofrimentos, angústias, pois nEle me fortaleço. Ergo minha cabeça e nada temo, pois Deus se solidariza e chora comigo quando atravesso o Vale da Sombra da Morte. Continuo apostando no amor, uma vez que para quem ama nada mais importa!

Quando olho pro Cristo no monte das Oliveiras, não me importo mais com o que pensam ou deixam de pensar sobre mim. Também não mais importam aparências, conceitos, rancores, preconceitos. São aparências, nada mais… Importa unicamente saber quem sou: Sou teu, Senhor!

Caio Marçal – escrito em Fev de 2004