julho 2010


René Padilla


O Evangelho é o que de mais precioso podemos oferecer porque é o melhor que temos. Toda a ajuda que podemos oferecer aos necessitados é boa, mas nada é comparável à possibilidade de se apropriar dos recursos que Deus quer lhes dar para uma vida digna, cheia de sentido — uma vida em abundância.

Evangelizar é anunciar as boas notícias de Jesus Cristo em palavras e em ação, àqueles que não o conhecem, com a intenção de que, pela obra do Espírito, se convertam a Jesus Cristo, se disponham a lhe seguir como discípulos, unam-se à sua igreja e colaborem com Deus na realização de seu propósito de restaurar a relação com ele, com o próximo e com a criação. Assim, a conversão é o começo de uma transformação que abarca todo aspecto da vida.

Portanto, a evangelização requer a participação de agentes humanos dispostos a colaborar com o Espírito Santo. Bryant Myers nos chama a atenção para um padrão, um modelo de evangelização no livro de Atos, que mostra que o anúncio do evangelho é, com frequência, “o segundo ato da narração” — a resposta a perguntas suscitadas por algo que acontece. Por exemplo, o Sermão de Pentecostes, o Sermão na porta do Templo de Jerusalém seguido da cura de um deficiente físico e o Sermão de Estevão, resposta à acusação provocada pelos milagres. Nas palavras de Myers, “em cada caso se proclama o evangelho, não por intenção ou plano prévio, mas em resposta a uma pergunta provocada pela atividade de Deus na comunidade”. Há uma ação que exige explicação e o evangelho é a explicação.

Devemos nos perguntar, então: Até que ponto nossas ações provocam perguntas?

Para concluir, é compreensível a reação contra o que poderíamos chamar de um “sectarismo cristão” — o afã de converter as pessoas, sem respeitar os tempos do outro. Reafirmamos que não há lugar para o proselitismo nem a manipulação. Entretanto, sem evangelização não há missão integral.

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René Padilla é equatoriano, doutor em Novo Testamento pela Universidade de Manchester. Foi o Secretário Geral para América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos e, porteriormente, da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL). Tem dado conferências e ensinado em seminários e universidades em diferentes países de América Latina e ao redor do mundo. Atualmente é o Presidente Honorário de Fundación Kairós, em Buenos Aires, e coordenador de Ediciones Kairós.

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Retirado de Novos diálogos –  http://www.novosdialogos.com/

O Brasil e o mundo vive mergulhado num processo de deterioração: Fome, violência, corrupção, miséria, imoralidade, desrespeito para com a vida humana e a ganância capitalista desenham o mapa da triste realidade em que estamos inseridos na presente geração.  Daí surge uma pergunta incômoda:

– De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade?

A culpa é minha! A culpa é nossa!

Jesus afirma que somos Sal e Luz, não é mesmo? Se a carne se estraga e tornando-se imprópria para o consumo, não adianta culpa a carne, mas perguntar onde está o sal. Se tudo é treva, não adianta culpar a escuridão, mas questionar onde está a luz.

O eminente teólogo John Stott assim afirma: “Da mesma forma, se a sociedade se decompõe e seus padrões declinam a tal ponto que ela acaba se tornando como uma noite escura ou um peixe mal-cheiroso, é um contra-senso culpá-la. Pois é isso que acontece quando homens e mulheres caídos são deixados à própria sorte, e o egoísmo humano não é questionado. A pergunta é: Onde está a igreja? Porque o sal e a luz de Jesus Cristo não estão impregnando e transformando a sociedade”?

Simplesmente culpar o mundo pela decomposição é o mesmo que tapar o sol com a peneira e confessar nosso fracasso e hipocrisia. Ser sal e luz implica numa contínua responsabilidade de influenciar as estruturas sociais com valores bíblicos. Infelizmente tendemos a ser sal dentro do Saleiro, fugindo do nosso encargo de influenciar nossa geração.

A Missão da igreja não é apenas pregar o evangelho, mas também vivê-lo, o que implica em encarnar o amor de Deus aos marginalizados, perdidos e desesperançados. Mais do que palavras, o mundo precisa de homens e mulheres de Deus que amem e se importem com o próximo e  sensibilizem-se com o sofrimento humano.

Mais do que religiosos, essa sociedade perdida precisa de gente que de fato passou pela conversão, e lembremos, conversão significa reaprender a amar e olhar as pessoas e reconhecer nelas a imagem e semelhança de Deus.

Alguns, tentando teologizar seu egoísmo, acham que devemos deixar o mundo como está, mais uma vez John Stott fala: “Tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mundanismo”.

Caso não venhamos a assumir nossa responsabilidade social, cairemos no mesmo erro de um grupo de cristãos a quem uma mulher desabrigada pediu ajuda. Um membro do grupo prometeu orar por ela. Mas a ajuda concreta ele não ofereceu. Passado algum tempo desse episódio, ela escreveu o seguinte poema e o entregou a um dos membros daquele grupo da igreja:

“Eu tive fome, e tu formaste um grupo humanitário para discutir minha fome. Estive preso e tu te retiraste discretamente e oraste por minha libertação. Estava nua e, na tua mente, questionaste a moralidade da minha aparência. Estive enferma e tu te ajoelhaste e agradeceste a Deus por tua saúde. Estava desabrigada e tu me falaste do abrigo espiritual do amor de Deus. Estava solitária e tu me deixaste sozinha a fim de orar por mim. Parecias tão santo, tão próximo de Deus! Mas eu ainda estou com fome… e sozinha e com frio”

Em Cristo,

Que nos chama a amar e dar a vida em favor da humanidade

Caio César S. Marçal