ecua2001-27

Orar é entrar em diálogo com Deus. É o encontro mais sublime que pode existir, pois não há privilégio maior do que falar com Ele. Estar em sintonia com Aquele em quem tudo foi criado e onde todas as coisas subsistem, é o momento mais precioso de que se pode desfrutar. Nesse instante, tudo se apequena e um êxtase inigualável toma conta ante a grandeza mística de algo que a mente humana não encontra palavras para definir. Aquele que ora, ao ser tomado pela viva presença da manifestação do sagrado, deleita-se na plenitude de um amor que não existe medida capaz de quantificar.

Mas até onde Deus ouve nossas orações e qual seria o empecilho que levaria o próprio Deus a se tornar insensível? É possível que a oração, em vez de ser um encontro com o Senhor, possa ser um monólogo vazio e sem sentido, capaz até de causar a repulsa divina?

No primeiro capítulo do livro de Isaías, o Senhor deixa claro que não suporta qualquer tipo de atividade religiosa que não leve à defesa da justiça. Na equação de Deus, ativismo religioso sem compromisso com a equidade é insuportável. “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembléias … não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene” (Isaías 1:13).

A surdez de Deus para com aqueles que afirmam ser seu povo é fruto de mãos sujas de sangue da omissão ante a miséria, a exclusão e da falta de cuidado com o pobre. Os donos dessas mãos mal sabem que Deus se esconde ao vê-las levantadas, ‘para adoração’, e que tapa seus ouvidos na hora em que começam a orar. “Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Isaías 1:15).

Para que possamos ter o direito de ser ouvidos por Deus em nossas súplicas, é necessário que estejamos atentos para o chamado ao arrependimento, que se expressa não em declarações doutrinárias ‘corretas’, mas no compromisso efetivo com a bondade, a solidariedade e contra toda e qualquer opressão. “Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Isaías 1: 15– 17)

Mais do que uma vida de oração, Deus espera que nossa vida seja uma oração que expresse sua misericórdia, justiça e compaixão. Se nossa vida devocional não nos leva à sensibilidade com o sofrimento e a dor dos que estão marginalizados, é possível que nossas mãos estejam ensangüentadas e Deus se afaste de nós e de nossa religiosidade hipócrita.

Uma vida de oração se avalia não pelo tempo que se ora e sim pelos frutos que procedem do Espírito Santo. Ao sermos tomados por Deus, descobrimos para onde pulsa o coração do Pai. Que nossa vida seja nossa maior oração. Sejamos nós os portadores da esperança de Redenção que o mundo precisa conhecer.

Em Cristo, que nos ensinou a orar pedindo que o Reino venha!

Caio César S. Marçal
Sec. de Mobilização da Rede Fale

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